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Situação da água no Rio de Janeiro

Augusta Maria de Assumpção Moreira
Médica do Instituto Fernandes Figueira/FIOCRUZ

Nas duas últimas semanas a mídia tem noticiado uma crise na qualidade da água que vem preocupando a população do estado do Rio de Janeiro e autoridades. Moradores da cidade do Rio de Janeiro e Região Metropolitana, tem observado mudança de turbidez, no gosto e cheiro da água, distribuída pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos – CEDAE e utilizada para consumo, descrita como característico de terra.

Em 07/01/2020, técnicos da empresa forneceram uma nota de esclarecimento a população, declarando a detecção da presença de Geosmina, em amostras de água. Essa substância orgânica é produzida por algas e, segundo relato técnico, não representa nenhum risco à saúde dos consumidores. O aumento dessa substância nos mananciais teria relação com alterações de luminosidade, variações de temperatura e níveis das chuvas e que, apesar de raro, já teria acometido outros estados brasileiros, incluindo o próprio Rio de Janeiro, em décadas anteriores. A CEDAE informou que o monitoramento se faz contínuo e que as análises realizadas nas unidades de abastecimento, estavam dentro dos indicadores estabelecidos pelas normas do Ministério da Saúde, mesmo assim, a companhia adotou, em caráter permanente o uso de carvão ativado pulverizado no tratamento da água. Os resultados encontrados nas análises estão disponíveis na página da empresa (www.cedae.com.br/relatoriosguandu). Cabe ressaltar que a Vigilância Sanitária do município do Rio de Janeiro, declarou já ter avaliado inúmeras amostras de água, de diversos pontos de estabelecimentos de saúde, garantindo a portabilidade da água para consumo humano, conforme portaria vigente do MS n°2914/2011. Cabe às unidades hospitalares e estabelecimentos de saúde o monitoramento interno através das notificações dos casos suspeitos de gastroenterite entre seus profissionais, pacientes e acompanhantes.

Infelizmente, as mudanças ocorridas nas características da água, suscitaram diversas informações falsas e alarmantes, principalmente divulgadas por redes sociais, envolvendo importantes instituições de saúde: FIOCRUZ, UFRJ, UERJ entre outros. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), através do Grupo de Atuação Especializado em Meio Ambiente (GAEMA), pediu a justiça acesso aos laudos que comprovam a qualidade da água distribuída no estado. Em 15/01/2020 a FIOCRUZ, divulgou na página institucional, a sua participação, a pedido do MPRJ, em parceria a outras instituições, da vistoria técnica nas instalações da CEDAE em Nova Iguaçu, como importante avanço na garantia do acesso à agua e esgotamento sanitário, na perspectiva dos direitos humanos, deixando em evidência o comprometimento da Instituição com as ações do Sistema único de Saúde (SUS), no campo da vigilância em saúde. É fato que a Estação de Tratamento de água sofre pela vulnerabilidade decorrente da elevada poluição do principal manancial que abastece a Região Metropolitana, o rio Guandu, e uma das possíveis consequências dessa degradação ambiental é a proliferação de algas, responsáveis pela metabolização de diversas substâncias, entre elas a Geosmina. Segundo nota técnica da UFRJ, existe ameaça real à segurança hídrica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, enquanto o esgoto em estado bruto, das áreas urbanas, e desprovido de qualquer tratamento, continuar sendo despejado nos afluentes do Rio Guandu.

Referências:
www.cedae.com.br/relatoriosguandu
www.cedae.com.br/noticias/detalhe/nota-de-esclarecimento/id/433
https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-participa-de-vistoria-na-estaco-do-guandu
https://agencia.fiocru.br/fiocruz-divulga-nota-sobre-audio-de-whatsapp
https://www.google.com.br/amp/oglobo.globo.com/rio/mp-pede-na-justica-paa-que-cedae-apresente-laudos-
que-comprovem-qualidade-da-agua-no-rio-24198113%3fversao=amp
https://www.google.com.br/amp//s/vejs.abril.com.br/brasil/nota-tecnica-da-ufrj-diz-que-ameaca-a-seguranca-
hidrica-no-rio-e-real/amp/
https://www.tratamentodeagua.com.br
Portaria MS n°2914/2011 Dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água
para consumo humano e seu padrão de portabilidade.


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